Montemor-o-Velho;
Real… Não Virtual!

Desporto ... Para todos...

Quando se fala de desporto, poucos são aqueles analisam este fenómeno pela vertente correcta, ou seja, no seu conceito mais amplo e abrangente, para além, do desporto rendimento, ou de espectáculo... para não dizer, para além do futebol de competição!
Com efeito, hoje o fenómeno desportivo tem de ser encarado de uma forma diferente, na sua dimensão de fenómeno humano, social e até cultural.
A partir dos anos 50, do século passado, a própria sociedade, em face das grandes transformações económicas operadas no mundo, criou novos modelos sociais, novos estilos e filosofias de vida, deixando as pessoas de pensar e idealizar a sua linha, ou percurso de vida, pelo pressupostos tradicionais, em que, primeiro havia o tempo para a educação, depois para o trabalho, e finalmente para a almejada reforma, que representava enfim, o "paradigma da sociedade industrial".
Hoje, a vida do cidadão, de qualquer parte do mundo, abandonou, quase que por completo aquele modelo de vida da dita sociedade industrial, pois a própria globalização e circulação rápida e abrangente da informação pelo mundo, propicia a todos, uma nova mentalidade, um novo estilo e ambição de vida, que passa necessariamente por uma multiplicidade de actividades, de todos e de cada um, que se cruzam no passado e presente de cada indivíduo, de cada organização, pelas diferentes gerações, e pelas diferentes comunidades integrantes da sociedade global, onde a educação, o trabalho, a reforma, concorrem com o desporto, com o lazer, com a religião, com a saúde e uma multiplicidade de serviços, que em conjunto, estabelecem um novo padrão de vida em sociedade e concorrem para um novo conceito de qualidade de vida de cada um, inserido numa comunidade.
O lazer, associado ao desporto e à saúde, são hoje elementos essenciais da vida dos cidadãos, inseridos numa comunidade, que busca, luta e anseia por uma qualidade de vida melhor.
Montemor-o-Velho, é uma comunidade do litoral, deste país que vem sofrendo inúmeras transformações económicas e sociais, onde mais uma vez, enferma de um vazio nesta específica área do Desporto, mesmo que alguns, mantendo uma atitude de conformismo e de puro oportunismo político, tentem por todas as formas dizer, que tudo está bem, que temos políticas desportivas, muitas associações e clubes a trabalhar neste sector, enfim, dizendo que muito se está a fazer nesta área!
Nada mais falso, pois o trabalho das associações e clubes não pode ser considerado como mérito dos políticos, mas antes, do esforço abnegado de alguns dedicados cidadãos, que tudo fazem para manter o seu clube em actividade na terra, ou no inevitável e meritório desígnio, de manter os seus jovens em actividades federadas ou, de desporto de rendimento ou competição Certo é que, em abono da verdade, se vislumbram já alguns casos de sucesso, de associações e clubes locais que se dedicam à nova realidade do desporto de lazer, de manutenção, fazendo verdadeira pedagogia desportiva aos cidadãos e conferindo-lhes um acréscimo inegável à sua qualidade de vida.
Os dados estatísticos de que tenho conhecimento (de 2003/2004), apontam para que: 6,5 montemorenses em cada 100, desenvolve prática desportiva regular (mínimo de 2 sessões semanais) num clube/associação desportiva do concelho. Ou seja, um índice de pratica desportiva que não chega aos 7%, o que em termos práticos se situa 14% abaixo da média nacional! A estes dados, junta-se a agravante, que tal prática desportiva dos montemorenses, se situa preferencialmente, na área do desporto de competição/rendimento!
O Governo nacional, que sempre privilegiou o desporto de rendimento/competição, também vem dando mostras de alguma alteração de mentalidades e atitude, como são exemplos as mais recentes medidas da Secretaria de Estado do Desporto, que prevêem o financiamento de campos sintéticos, primeiro relvado, modernização de infra-estruturas desportivas, para se adaptarem às melhores regras de segurança e higiene, bem como, na formação desportiva.
As autarquias, neste particular aspecto do "desporto para todos", têm um papel fundamental, que terá necessariamente de ser diferente do Estado, promovendo políticas de proximidade e de inequívoco desenvolvimento do desporto de lazer e manutenção, como elemento essencial da qualidade de vida dos seus munícipes, sem contudo, desprezar a outras vertentes de competição.
Para que o desporto seja um factor indutor da melhoria da qualidade de vida, é imperativo que se pratique melhor desporto, em vez de mais desporto.
A qualidade não se avalia apenas pela excelência resultados desportivos, pelo protagonismo de ter atletas de elite no concelho, mas por um conjunto de outros indicadores relevantes, que passam necessariamente, pela melhoria e implementação de condições técnicas, ambientais, pedagógicas, sanitárias colocadas à disposição dos praticantes. E é aqui, de forma incontornável que a autarquia tem um papel crucial, promovendo a construção, reconstrução e manutenção das instalações e infra-estruturas desportivas realmente ADEQUADAS às necessidades da população, nos locais e com as características adequadas, e promovendo e controlando a formação e reciclagem de conhecimentos dos agentes desportivos que actuam no seu território.
É preciso fazer a carta das infra-estruturas desportivas concelhias existentes, a construir ou recuperar, avaliar o seu estado de conservação, plano de gestão das infra-estruturas da autarquia, adoptar novos modelos de gestão das mesmas, podendo inclusive, para as mesmas, se estabelecer um regime de concessão, para as associações e clubes locais, mas com uma missão específica, com um prévio projecto de financiamento e actividades a desenvolver, em prol do interesse comunitário.
Não é admissível, a total falta de informação aos munícipes, sobre o tempo que o pavilhão gimnodesportivo de Montemor-o-Velho esteve encerrado para obras de manutenção, não é possível compreender tal anómala situação!
Não é tolerável, nem sequer concebível que a autarquia, enquanto entidade financiadora sob a forma de subsídios à actividade e resultados da prática desportiva, seja concorrente, das associações e clubes locais na oferta de serviços, de idêntica natureza, muitas vezes nos mesmos locais, sujeitando essas entidades a uma situação, que no limite, é desleal!
A realidade actual, desafia a autarquia a dialogar, de forma permanente e efectiva, sem quaisquer condicionalismos de filiação partidária dos interlocutores, com as associações, clubes e demais agentes desportivos locais, para que, em regime de cooperação, colaboração e de responsabilização das mesmas entidades envolvidas, desempenhem em conjunto, com protagonismo mútuo, um plano desportivo previamente definido, em face das especiais necessidades locais da população, com o mínimo desperdício de meios e recursos humanos e económicos.
Se existem no concelho entidades capazes de dinamizar e implementar, com qualidade e eficácia, as práticas desportivas de que a população local carece, deverá a autarquia delegar nas mesmas, o exercício dessa função, assumindo, a final, a tarefa de avaliar e fiscalizar, de forma independente e idónea, os resultados obtidos, em face das contrapartidas oferecidas e da missão inicialmente estabelecida (nomeadamente, em orçamento, plano de financiamento e plano de actividades, previamente definidos e acordados, sempre privilegiando a tal vertente do desporto/lazer/manutenção).
Nesta área específica, a autarquia não é a protagonista, mas é pivôt de desenvolvimento... Os políticos têm de cumprir uma obrigação de função social, de serviço público, não são os honoráveis herdeiros do sucesso dos outros!

Importa pois, tomar decisões, esclarecendo missões, objectivos, descentralizando e dinamizando de forma integrada, o tecido associativo local, é preciso agir efectivamente… não prometer para manter adiada a solução!